Venho por este meio, um pouco pobre e fácil, apelar
por aí, ao mundo vasto e escondido da Internet e do pessoal altamente bué.
Venho apelar a que pensem, mas não pensem só por
pensar; a que parem e digam: "Eh, pá, sou mesmo um retardado mental; tenho
de melhorar."
Fiz isso a primeira vez, não me lembro bem quando,
mas agora é a minha terapia, quando me sinto em baixo, ou seja,
tornou-se a minha rotina matinal. Acordo e detesto-me logo de seguida,
tomo um banho e detesto-me um bocadinho menos; sou um detestável mais limpinho.
Não vou recitar a minha rotina matinal, só queria contar qual costuma ser o
primeiro passo dum longo e chato dia: aperceber-me de que estou errado aqui,
que sou uma má pessoa, que sou incorrecto, egoísta, preguiçoso, mesquinho e
hipócrita. Só então posso iniciar o meu dia, pronto para uma batalha interior.
Uma batalha pelo melhor, para que o meu pequeno contributo possa ser
significante, mesmo que apenas seja evitar pisar uma formiga e, assim, salvar a
vida desse parvo animal, mesmo que apenas seja dizer bom dia à velha do café,
porque ela é muito simpática em servir-me um croissant delicioso.
Acho que o ser humano adulto, ou semi-adulto, é mau
por natureza, por apontar sempre o dedo aos outros e nunca a si, como eu estou
a fazer agora a vocês. Percebem-me? Por isso, ao menos apontem o dedo aos
outros e depois melhorem. Pensem nos outros como gostariam que eles pensassem
em vocês; tentem perceber que vocês são uma pessoa num mundo de biliões. Mas
calma, não percebam demasiado, senão entram em depressão. Pensem no grande
senhor, caso isso vos apele à sensatez, mas lembrem-se, meus amigos, que esse
senhor também fazia cocó.
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